livros feministas

10 livros feministas para entender melhor o movimento

Ler livros feministas é uma ótima maneira de conhecer melhor o movimento. Para conhecer as lutas, estar por dentro das reflexões e acompanhar as ativistas feministas, é interessante ler suas obras – sejam das feministas consideradas clássicas, como as de Simone de Beauvoir ou Angela Davis, ou também as de pensadoras contemporâneas, como Djamila Ribeiro ou Joice Berth.

Pensando em orientar você nos estudos, aqui você encontrará uma lista de livros feministas parar ler, estudar, espalhar por aí e ter à mão para consultas futuras. Sempre que suas lutas feministas pedirem um aconselhamento, recorra à essas mulheres incríveis, autoras destes livros feministas maravilhosos . Com certeza, a inspiração e orientação necessárias virão!

 

Livros feministas: algumas indicações

 

1. “O segundo sexo”, de Simone de Beauvoir

o segundo sexo simone de beauvoirO livro O segundo sexo, publicado em 1949, consagrou Simone de Beauvoir na filosofia mundial e no movimento. Considerado um dos principais livros feministas de todos os tempos, a autora aborda fatos e mitos da condição da mulher no primeiro volume do livro. No segundo, Beauvoir analisa a condição da mulher em todas as suas dimensões: sexual, psicológica, social e política. O segundo sexo deve ser lido como um livro que se tornou atemporal, para que nossas reflexões partam da sociedade e época em que foi escrito, transformando-se para os dias atuais.

 

2. “Mulheres, raça, classe”, de Angela Davis

angela davis mulheres raça e classeUm dos mais importantes livros feministas da história, “Mulheres, raça, classe” apresenta um elaboradíssimo panorama histórico e crítico das imbricações entre a luta anticapitalista, a luta feminista, a luta antirracista e a luta antiescravagista, passando pelos dilemas contemporâneos da mulher. Essa obra de Angela Davis é considerada um clássico sobre a interseccionalidade de gênero, raça e classe, e é uma obra fundamental para se entendermos as nuances das opressões

 

 

3. “Quem tem medo do feminismo negro”, de Djamila Ribeiro

Quem tem medo do feminismo negro de Djamila RibeiroFilósofa, feminista e acadêmica brasileira, Djamila Ribeiro é uma das principais ativistas do movimento feminista e da luta antirracista. Seu livro “Quem tem medo do feminismo negro“, reúne um longo ensaio autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados por ela no blog da revista CartaCapital, entre 2014 e 2017. Muitos textos reagem a situações do cotidiano — o aumento da intolerância às religiões de matriz africana; os ataques a celebridades como Maju ou Serena Williams – a partir das quais Djamila Ribeiro destrincha conceitos como empoderamento feminino ou interseccionalidade. Ela também aborda temas como os limites da mobilização nas redes sociais, as políticas de cotas raciais e as origens do feminismo negro nos Estados Unidos e no Brasil, além de discutir a obra de autoras de referência para o feminismo, como Simone de Beauvoir.

 

4. “O feminismo é para todo mundo”, de bell hooks

o feminismo é para todo mundo de bell hooksbell hooks – grafado assim mesmo, com letras minúsculas – é uma autora aclamada, intelectual negra, teórica feminista e crítica cultural.  Em “O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras” hooks escreve um precioso guia para todos aqueles que buscam um mundo melhor, destrinchando lutas e conceitos feministas a cada capítulo. Em uma linguagem simples e direta, a autora nos prova que o feminismo é para todo mundo, sim.

 

 

5. “O lado invisível da economia”, de Katrine Marçal

o lado invisível da economia de Katrine MarçalAdam Smith cunhou o termo “mão invisível”, uma das expressões mais conhecidas da economia. Adam Smith falava sobre o sistema, mas não considerava que para que ele estivesse falando sobre isso, cunhando termos, sendo consultor, sua mãe cuidava de todo o resto da sua vida, inclusive as finanças. Esse é o lado invisível da economia, o que não conta no PIB, mas que faz o mundo e os sistemas acontecerem. Katrine Marçal, nesse livro, nos explica como a economia se esqueceu das mulheres e por que precisamos falar sobre isso. Segundo Caroline Criado-Perez, ativista feminista, o patriarcado sucumbiria se todos lessem este livro. Eu concordo e assim embaixo.

 

6. “Os homens explicam tudo para mim”, de Rebecca Solnit

os homens explicam tudo para mim de Rebecca SolnitImportante obra de nossa lista de livros feministas, “Os homens explicam tudo para mim“, de Rebecca Solnit, é aquela obra essencial para os dias de hoje. Tendo inspirado a criação do termo mansplaining, Solnit apresenta uma série de situações cotidianas e como o movimento feminista se relaciona com isso. A obra reúne nove ensaios que falam sobre temas diversos, incluindo mansplaining, mas não só isso. É um livro ácido, visceral e impactante. Se eu pudesse dar um conselho a você, leitor, seria esse: leia este livro. E aqui nessa resenha de”Os homens explicam tudo para mim” tento fundamentar mais meu conselho.

 

7. “O que é empoderamento”, de Joice Berth

que é empoderamento de Joice Berth“Empoderamos a nós mesmos e amparamos outros indivíduos em seus processos, conscientes de que a conclusão só se dará pela simbiose do processo individual com o coletivo”. Joice Berth, autora do livro “O que é empoderamento?”, da coleção Feminismos Plurais, coordenada pela Djamila Ribeiro, nos lembra a todo instante que o processo de empoderamento individual, conceito tão difundido e incentivado, só faz sentido se os indivíduos empoderados passarem a colaborar com o empoderamento da coletividade. Dessa forma, será possível subverter a lógica social em que vivemos. A autora, enquanto mulher negra, volta-se à sociedade racista e patriarcal para discorrer sobre o tema, nos dando preciosos ensinamentos sobre a origem do termo, as opressões estruturais da sociedade, o feminismo negro e interseccional, as questões estéticas e de afetividade. É um  livro feminista enriquecedor para todos nós interessados em contribuir para a formação de uma sociedade empoderada.

 

8. “Calibã e a bruxa”, de Silvia Federici

caliba e a bruxa silvia fredericiSilvia Federici, intelectual militante de tradição feminista marxista autônoma, escreveu esse importante livro que eu gosto de resumir como: tudo o que deveria ter sido ensinado nas minhas aulas de história porém não foi.Calibã e a bruxa” demonstra como a perseguição às bruxas — assim como o tráfico de escravos e os cercamentos — constituiu um aspecto central da acumulação e da formação do proletariado moderno, tanto na Europa como no Novo Mundo. É uma obra importante para pensarmos como o capitalismo segue impedindo a real libertação das mulheres, e como as origens das opressões e violências dos dias de hoje são extremamente remotas. Coloque aí na sua lista de livros feministas para ler!

 

9. “Clube da luta feminista”, de Jessica Bennett

clube da luta feminista de Jessica BennettJessica Bennett, criadora do Feminist Fight Club, nos dá um livro feminista engraçado, mas de conteúdo sério: o machismo presente no ambiente de trabalho. A autora mostra como todos temos responsabilidade ao perpetuar o machismo no mundo – e só o estudo e aprofundamento em livros feministas nos ajuda a interromper essa ciclo. Bennett nos dá, a cada capítulo importantes conselhos para todas nós que ainda vivemos nesse mundo capitalista (que como bem fala Katrine Marçal, segue esquecendo as mulheres). Dos principais conselhos desse livro, meus favoritos: se você é uma profissional buscando novas oportunidades ou buscando fazer um bom trabalho, acredite em seu próprio hype. Acredite e tenha respostas prontas para os machismos diários. Chega de passar pano pra machistas e empresas que não estão preocupadas em respeitar você. E, por último, a autora é bem categórica: se você é uma mulher que pode empregar ou promover outras mulheres no trabalho, faça isso. Não adianta pregar Diversidade e Inclusão no mercado e não se preocupar em ter profissionais de acordo com a sociedade – e mulheres são metade da população. Ambientes de trabalho (e mercados inteiros) só se tornam menos machistas com mais mulheres incríveis no poder, e para mais mulheres no poder precisamos de oportunidades para mulheres (para todas, não apenas as que já são privilegiadas).

 

10. “Feminismo para os 99%: um manifesto”, de Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser

Feminismo para os 99 um manifestoSe você chegou até aqui, e se já passou por todas essas leituras indicadas anteriormente, prepare-se: esse é um livro feminista impactante. Esse manifesto escrito por importantes teóricas feministas com muito sangue nos olhos nos fala de forma direta: estamos errando (feio!) com o feminismo nos dias de hoje. Em “Feminismo para os 99%“, retomam as origens do movimento, pontuam brilhantemente onde e como temos errado, e como temos “adaptado” o feminismo para que ele seja mais aceitável, mais fácil, mais cotidiano – e menos impactante e efetivo para as reais mudanças que precisamos. Esse livro é essencial e nos chama atenção para algo que temos esquecido: o feminismo não pode se adaptar ao mundo e às estruturas que conhecemos. É preciso criar novas estruturas, que possibilitem a liberdade para todas e todas, de fato.

Deixe seu comentário pra gente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s