Nós resistiremos!

Ei, eu te peço: não solta a minha mão. Sei que os tempos estão sombrios e que o futuro fica cada vez mais incerto, mas não solta, não. Vem e deixa eu ficar do seu lado enquanto essa tristeza devasta o nosso coração. A gente tem todo o direito de sentir tudo isso, de chorar tudo isso, de viver tudo isso intensamente. Mas fiquemos sempre juntos.

Segura a minha mão e resiste comigo, porque devemos isso a todas e todos que não podem mais resistir conosco. Por todas as vítimas que tornam o nosso Brasil o quinto país que mais mata mulheres no mundo. Por cada vítima de LGBTfobia feita a cada 19 horas. Por cada jovem negro que morre a cada 23 minutos.

A gente precisa resistir. Até que seja zero o número de vítimas de violência doméstica, que hoje ultrapassam 600 por dia; e de violência sexual, que são mais de 100. A gente precisa resistir. Até que todas e todos, independentemente de suas crenças, orientações, escolhas, gênero, raça ou classe, sejam respeitados, acolhidos e honrados. A gente precisa resistir. Até que todas e todos tenham acesso à educação de qualidade, à merenda, à oportunidades. A gente precisa resistir.

Segura a minha mão e não esquece que eu estou aqui. Pensa nos seus antepassados que resistiram para que você pudesse estar aqui. Honra sua ancestralidade e fortalece suas redes de apoio. Lembre suas amigas e amigos que você também está aqui por todos. E definitivamente não importa de quem você tenha se afastado nestes últimos tempos, se você pensar em todas as pessoas incríveis das quais você se aproximou. Pense em cada uma dessas pessoas que lutam as mesmas lutas que você e sonham os mesmos sonhos, e levanta a cabeça. Por você e por elas.

Fale com elas. Marque reuniões. Estude com elas. Monte clubes de leitura. Manifestem-se. Participem da vida pública. Exaltem a democracia e seja a própria resistência democrática.

Não deu pra combater uma ideia, mas a gente sabe que podemos combater o que é real. Então vem! Se eles quiseram pagar com nossas vidas para ver o que acontecerá com o país, a gente vai se guiar pelas mãos e ir. Ir para um futuro incerto, mas juntos. E então eles vão ver o que acontece quando 47 milhões de pessoas se dão as mãos. Como disse Conceição Evaristo, escritora-negra-brasileira-resistente: “Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer”.

Não solta minha mão.

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