#leiamulheres: 12 autoras negras para ler em 2018

Entre as muitas reflexões necessárias que o Dia da Consciência Negra me trouxe neste ano, tive a oportunidade de conversar com as seguidoras e seguidores do Instagram do Clarices e Marias (@claricesemarias) sobre a literatura feita por mulheres negras. “Qual foi o último livro escrito por uma mulher negra que você leu?” foi a pergunta que iniciou uma série de indicações maravilhosas que vou carregar para 2018. Por isso, convido vocês a se juntarem a mim e começarem a ler mais autoras negras no próximo ano.

Das indicações recebidas naquele dia escolhi 12 obras, uma para cada mês de 2018, e criei esta lista! Confiram as dicas e espalhem para todos os grupos da família no Whatsapp e para os colegas do amigo secreto do trabalho: que os presentes deste Natal rendam a vocês ótimas leituras no próximo ano!

1. Precisamos de novos nomes, de Noviolet Bulawayo

810p935sVVLNoViolet Bulawayo nasceu no Zimbábue e faz parte da primeira geração nascida depois da independência oficial do país. Sua infância se passou, portanto, sob um clima de confiança, estabilidade e esperança, cenário muito diferente do que vivem Darling, Bastard, Chipo, Godknows, Sbho e Stina, as crianças que figuram em “Precisamos de novos nomes“, seu romance de estreia. Nele acompanhamos uma protagonista que precisa enfrentar as novidades da adolescência e da vida adulta ao mesmo tempo em que precisa se adaptar a uma terra onde sempre será estrangeira. Assassinatos políticos, estupros, charlatanismo de alguns religiosos, aids, fome… tudo o que a imprensa ocidental reafirma a respeito dos países africanos estão neste livro, mas contado por uma voz inocente de uma criança sensível, esperta e sonhadora.

2. Niketche, de Paulina Chiziane

A112FTaSuOL.jpgPaulina Chiziane foi a primeira mulher moçambicana a publicar um romance e dedica-se a uma literatura ligada às raízes culturais de seu país, sobretudo aos temas femininos. “Niketche conta a história de Tony, um alto funcionário da polícia, e sua mulher Rami, casados há vinte anos. Certo dia, Rami descobre que o marido é polígamo: tem outras quatro mulheres e vários filhos. O romance retrata a busca de Rami como uma incursão pelo desconhecido e uma tentativa de lidar com a diferença, simbolizada pelas amantes do marido. Acompanhamos Rami em seu processo de compreender as escolhas de Tony, que entende a poligamia como algo cultural; seu processo de autoconhecimento e também de acolhimento destas outras mulheres aparecem e tornam-se, de repente, parte de sua família. Li esse livro para um dos encontros do Leia Mulheres em Campinas e, ao recebê-lo novamente como uma indicação, fiquei muito instigada a uma releitura!

3. A cor púrpura, de Alice Walker

2843221Título conhecidíssimo por sua adaptação para o cinema, dirigida por Steven Spielberg, “A cor púrpura“, escrito pela estado-unidense Alice Walker, é um dos mais importantes títulos de toda a história da literatura. O romance retrata a vida de Celie, uma mulher negra do sul dos Estados Unidos, durante a primeira metade do século XX. Pobre e praticamente analfabeta, Celie foi abusada, física e psicologicamente, desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido. No entanto, um universo delicado é construído a partir das cartas que Celie escreve e das experiências de amizade e amor, sobretudo com a inesquecível Shug Avery. A dramaticidade do enredo deste livro nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder em uma sociedade ainda marcada pelas desigualdades de gênero e classes sociais.

4. Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie

81fcCWD6e3L.jpgAlém dos brilhantes manifestos feministas, Chimamanda também é autora de uma porção de livros ficcionais fabulosos: um desses, o “Hibisco roxo“. A protagonista e narradora deste livro é Kambili, uma adolescente que mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.

5. Mulheres, raça e classe, de Angela Davis

51r3O8G2DULAngela Davis é uma das mais importantes ativistas do movimento negro e feminista, que integrou o grupo Panteras Negras e, ao ser presa na década de 1970, ficou mundialmente conhecida pela campanha “Libertem Angela Davis”. Em 1981 escreveu este livro, “Mulheres, raça e classe“, apresentando a ligação entre as questões de gênero, raciais e sociais. Nesta obra, Angela explica claramente porque o feminismo deve ser interseccional, em uma época em que o conceito de “interseccionalidade” ainda não havia sido apresentado, mas que já existia em sua percepção do movimento. Este livro, sem dúvida, é um dos mais importantes do movimento feminista negro e todas e todos precisam conhecê-lo. “Mulheres, raça e classe” começa com um impactante panorama da escravidão nos Estados Unidos, passando pelo movimento sufragista e terminando com um estudo sobre contracepção, estupro e violência. Leitura importantíssima!

6. O ódio que você semeia, de Angie Thomas

41+Or6kL8ILEste livro apresenta uma história juvenil repleta de choques de realidade necessários em tempos tão cruéis e extremos como estes. Em “O ódio que você semeia” conhecemos Starr, que desde muito nova aprendeu com os pais como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Um dia, no entanto, quando ela e seu amigo Khalil são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. Seu amigo de infância, de repente, está no chão coberto de sangue. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, ela estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos, após o fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo, Starr precisa fazer a coisa certa. Angie Thomas apresenta, numa narrativa dinâmica, direta e firme, uma nova forma de falar sobre racismo para seus jovens leitores. Este é um livro que não pode ficar de fora das suas leituras em 2018!

7. Kindred, de Octavia E. Butler

610v77e08pLEm “Kindred”, tudo começa com o vigésimo sexto aniversário da protagonista Dana, quando ela e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Repentinamente ela se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida… até acontecer de novo – e de novo. Quanto mais tempo passa no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil – um lugar perigoso para uma mulher negra –, mais consciente Dana fica de que sua vida pode acabar antes mesmo de ter começado. Publicado pela primeira vez em 1979, “Kindred” chega ao Brasil mais atual do que nunca! 

8. Insubmissas lágrimas de mulheres, Conceição Evaristo

91GlCV4Ik9L.jpgInsubmissas lágrimas de mulheres” se revela um retrato de solidariedade e afeição feminina, tocando no que é essencial, no que move, no que aproxima e une mulheres e, em espacial, mulheres negras. Com uma técnica literária irrepreensível e uma grande força de sentimentos, Conceição Evaristo apresenta afetos, reflexões e deslocamentos nos contos que compõe esta obra, reafirmando o lugar de destaque que ocupa na literatura brasileira.

9. Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves

813YkFE3GSLEsta é uma fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela conta sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Este livro é inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e é narrado de uma maneira original e pungente, inserindo os fatos históricos no cotidiano e na vida das personagens. “Um Defeito de Cor” é um belo romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira à última página. 

10. Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus

810BIftUFoL.jpgConsiderada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil, Carolina Maria de Jesus tornou-se conhecia por este primeiro livro, “Quarto de despejo“, originado de seu diário pessoal, onde escrevia depois de passar o dia todo em sua função como catadora de papel. Nesta obra prima, Carolina relata seu cotidiano triste e cruel na favela do Canindé, em São Paulo. A linguagem simples e contundente comove o leitor pelo realismo e olhar sensível em contar tudo o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou nesta comunidade com seus três filhos. Mais uma leitura impactante!

11. Quando me descobri negra, Bianca Santana

81vxUMO+2PL.jpgBianca Santana inicia “Quando me descobri negra” assim: “Tenho 30 anos, mas sou negra há dez. Antes, era morena.” Neste livro, vencedor do Prêmio Jabuti em 2016, na categoria “Ilustração”, Bianca apresenta uma série de relatos sobre suas experiências pessoais ou experiência que ouviu de outras mulheres e homens negros. Neste livro, ela leva ao leitor contos singelos, mas que retratam firmemente a realidade da identidade negra no Brasil. 

12. Úrsula, de Maria Firmina dos Reis

Ursula6.jpgPublicado em 1889, “Úrsula” ganhou nova edição neste ano pelo centenário de morte de sua autora, uma homenagem da editora PUC Minas a Maria Firmina dos Reis. Ela, que viveu no Maranhão entre 1825 e 1917, foi a primeira escritora negra do país e também a primeira autora de romance abolicionista em toda a língua portuguesa. Neste romance acompanhamos a protagonista que dá nome ao livro em uma trágica história de amor com o nobre bacharel Tancredo. Entre as muitas reviravoltas da narrativa, a autora dedicou-se aos dramas dos escravos que surgem ali, algo completamente inovador para os romances da época.

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