27 de outubro: aniversário de Sylvia Plath e “A redoma de vidro”

Neste 27 de outubro, Sylvia Plath comemoraria 85 anos. A escritora americana, nascida em Boston em 1932, dedicou sua vida especialmente à poesia, mas em 1963 – mesmo ano de sua morte, por sinal – teve seu primeiro e único romance publicado, “A redoma de vidro” (The Bell Jar). Para homenagear e colaborar com a divulgação da vida e obra desta mulher incrível, minha meta neste mês de outubro era ler uma biografia sobre ela e este romance. É sobre ele que falo agora.

“A redoma de vidro” é um livro forte – e se você perguntar a impressão de qualquer pessoa que já tenha lido tal obra, ouvirá que é impactante como poucas. De fato, este romande de Sylvia é visceral, daqueles que nos fazem sentir o incômodo, a angústia e o alívio da personagem em nós mesmos. É uma experiência maior do que a própria narrativa, que imprime suas sensações em nossa mente e em nosso próprio corpo.

WhatsApp Image 2017-10-27 at 07.36.36

“Resolvi que nadaria até estar cansada demais para voltar. Enquanto avançava, eu sentia o coração batendo como um motor surdo nos meus ouvidos. Eu sou eu sou eu sou”.

Neste livro acompanhamos Esther Greenwood, uma jovem universitária que sonha em ser escritora e passa um mês de suas férias fazendo um estágio em uma editora interessante na cidade de Nova York, vivendo experiências maravilhosas de sua juventude. Intensa, essa personagem caminha pelos dias aproveitando as amizades que faz nesta nova cidade, suas festas e mordomias.

Apesar de ser aparentemente uma jovem saudável, Esther tem um surto depressivo ao voltar para casa e ver-se presa a uma rotina que não a agrada. Com este surto – que acompanhamos profundamente inseridos em sua mente – vem também a tentativa de suicídio. Aqui abro um parênteses para dizer que a primeira tentativa de suicídio de Sylvia Plath (exatamente como descrita no livro) deu-se logo após a escrita deste livro, pois a perturbou a ideia de que pessoas nas quais ela se baseou para criar personagens do livro, como sua própria mãe, pudessem lê-lo. “A redoma de vidro” é mesmo um romance autobiográfico. 

Voltamos ao livro e a tentativa de suicídio. Tentativa. Esther é resgatada e submetida ao tratamento psiquiátrico que os médicos sugerem à sua família. Acompanhamos, então, essa personagem durante seu processo de recuperação – ou também tentativa dele. (Resenha sem spoilers, como sempre). 

“A redoma de vidro” é absolutamente intenso e importante. Essa história nos permite acompanhar a trajetória de uma mulher que vive a vida à sua maneira, mas que, de repente, se vê presa em uma grande redoma de vidro, em uma situação insustentável em que ela não pode mais viver, nem respirar, ou escrever, ou dormir. É a sensação de quem passa por situações semelhantes. E devemos concordar que em maior ou menor grau, todos os dias ou pelo menos em alguns, todos nós estamos ou já estivemos presos em nossas próprias redomas. Por isso, a identificação com Esther é inevitável.

“A redoma  de vidro” fala sobre juventude, machismo, amadurecimento, problemas psicológicos, ajuda, redenção. Sob Sylvia Plath, que infelizmente nos deixou de forma abrupta e trágica, gira uma atmosfera sombria. A mídia fez com que seu suicídio se tornasse muitas vezes maior do que sua própria obra. Por isso é importante exaltá-la. É urgente resgatarmos suas obras, lermos seus poemas e romance. Apesar de breve, sua produção literária foi explêndida. Temos o exemplo deste livro, que ela considerava apenas uma tentativa. À sua memória, meus desejos de vida longa neste aniversário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s