“Rita Lee: uma autobiografia” e a mais completa versão de Rita

Alô, alô, Marciano! Se você, gostando ou não de Rita Lee, gosta acima de tudo de música e ainda não leu essa autobiografia recém-publicada, saiba que está perdendo tempo. Aos fãs da cantora, não há nada mais feliz do que uma obra criada por ela mesma, né? Pertença você a qualquer um desses grupos, siga em frente nesta leitura, porque esta resenha é toda pra você!

Todo mundo sabe que encarar uma autobiografia é sempre um tanto complicado, porque, afinal, é muito provável que os bons feitos do autor em questão sejam bastante exaltados e as falhas, diminuídas. É preciso encarar autobiografias sempre com o coração aberto e um pé atrás para duvidar sempre do que é dito – mas esse não é o caso de “Rita Lee: uma autobiografia”.

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Autobiografia escrita por Rita Lee aos 69 anos.

“Numa autobiografia que se preze, contar o côtè podrêra de próprio punho é coisa de quem, como eu, não se importa de perder o que resta de sua pouca reputação. Se eu quisesse babação de ovo, bastaria contratar um ghost-writer para escrever uma ‘autorizada’”. A autora sabe bem que os leitores esperam um autobiografia limpinha, mas Rita Lee sempre surpreende, né? Ela diz e nós confirmamos: neste livro os leitores encaram uma Rita corajosa e tranquila, certa de que pode contar tudo o que fez de bom e ruim, já que tudo o que viveu (fez, brigou, cantou e bebeu) faz de sua história aquilo o que é. A sinceridade, leitores, permanece uma das melhores características de Rita. 

Desde a primeira página deste livro, é como adentrar em um extenso diário de sua vida: encontramos uma representação de Rita ainda criança e seguimos com ela até a velhice, até o exato momento em que ela está escrevendo sua autobiografia. Conhecemos melhor a ovelha negra descendente de uma família de americanos protestantes e maçons e de italianos ultracatólicos – uma composição familiar que explica muito sobre suas rebeldias. De maneira franca, Rita nos conta sobre sua fase com os mutantes, da glória ao fim; suas fases com o marido Roberto, eterno parceiro; seus vícios e suas lutas pela sobriedade; a criação de seus filhos; seus amigos mais queridos, incluindo histórias com Elis, Hebe, Paulo Coelho, Raul; sua prisão à época da ditadura; conta até mesmo sobre sua loucura por bichos de estimação – não que essa categoria seja levada sempre ao pé da letra, já que um deles foi uma amada onça (SIM!).

“Não saber quando parar is my middle name. Não demorei a entrar no palco já babando, muitas vezes nocauteada antes do bis, para alegria dos jornais locais sensacionalistas. Se naquele tempo tivesse internet, certamente eu não sairia dos trending topics. #PloftCaiu”.

Sempre engraçadinha, Rita conta sua vida em ordem cronológica e apresenta ao leitor uma seleção de fotos interessantes. Além disso, ela também inclui ao longo de seus relatos toda a sua discografia, contando e comentando sobre a produção dos álbuns e das músicas entre os capítulos. Um recurso maravilhoso utilizado nessa edição é o Phantom, um fantasminha brincalhão que aparece ao longo do livro corrigindo falhas da memória da autora, apresentando datas, nomes e eventos que ela por vezes se esquece de mencionar e também homenageia e interage tanto com Rita como com o leitor.

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Primeira aparição do Phantom explicando como sua intromissão na obra funciona.

Após a leitura das quase 300 páginas escritas por Rita – a autora, inclusive, além de empenhar-se na escrita do livro, também organizou as fotos e produziu a capa, um esforço para manter sua autobiografia totalmente autoral – o leitor entrega-se a uma certa saudade de ver Rita tão ativa por aí, em seus shows e programas de televisão. E já que acompanhamos sua carreira por todos os cantos do Brasil e do mundo nessa obra, fica uma dica preciosa: pode colocar a discografia dela para tocar!

“A sorte de ter sido quem sou, de estar onde estou, não é nada se comparada ao meu maior gol: sim, acho que fiz um monte de gente feliz”. E como fez, Rita! Seus fãs agradecem a vida e a autobiografia incrível que vocês nos deu.

2 comentários sobre ““Rita Lee: uma autobiografia” e a mais completa versão de Rita

    • Michelle Lopes disse:

      Oi, Bia! Tudo bem?
      Leia sim! É um ótimo livro. Ela conta muito sobre a vida, tem esse Phanton que tem uma participação sensacional e é uma boa história desse período da música brasileira. Ela criou alguns problemas por falar bem mal dos integrantes dos Mutantes nesse livro, mas é bem a visão dela, né? Vale muito a pena a leitura! Depois me conta o que achou!
      Um beijo

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