12 livros escritos por mulheres para ler em 2017

Anote na agenda, faça uma nota mental, coloque um lembrete no smartphone: ler mais mulheres no ano que vem. Faça dessa uma meta real, não só mais um daqueles planos de Ano Novo que vão ser eternamente adiados e nunca passarão de pequenos lembretes. Procure o quanto antes livros escritos por mulheres que te agradem, faça um planejamento, compre livros novos, peça livros emprestados de amigos, leia! Leia mesmo, porque a literatura feita por mulheres é tão incrível quanto a feita por homens e precisa ser mais valorizada, mais lida, mais comentada.

E pensando nas resoluções de Ano Novo dos leitores – e também desta que vos escreve – Clarices e Marias selecionou 12 obras – publicadas em diferentes períodos, de diferentes gêneros e nacionalidades – para que você possa encontrar livros bacanas para ler em 2017. Começar com o pé direito e colocar em prática bons votos sempre é uma maneira incrível de começar o ano. Confira as dicas e boas leituras!

 

Cravos, por Júlia Wähmann 71tbl0j7cbl

É difícil definir este livro: é um romance construído em pequeno episódios que nos escapa das mãos e sai de nossa alçada classificá-lo de alguma forma. A narradora de Cravos, sobre quem não sabemos muito, descreve acontecimentos que carregam os leitores para dentro de uma intensa história de amor – por um homem e pela dança. É um livro delicado, cuja linguagem se expande para além das páginas e nos permite sentir as personagens, os espetáculos e os sons, que pulam de cada página para o mundo real. Ao ler este livro, é como se assistíssemos a um espetáculo de balé ou, quem sabe, fizéssemos também parte dele. A narradora – algumas vezes apaixonada e submissa, outras forte e corajosa – nos conta sobre seus encontros e desencontros nos palcos e na vida com ela mesma e com um grande amor. Tudo, de alguma forma, nos parece familiar e se torna uma grande sinfonia, como a mulher de dedos longos que contam notas de dinheiro encharcadas e o homem que enxerga neste gesto uma dança de Pina Bausch. É um livro curtinho, desses que devem ser lido de uma vez só para que possamos sentir o ritmo da narrativa e não perdermos nenhum detalhe.

a1ks6womxnl-2Rita Lee, de Rita Lee

Rita Lee é e sempre será um grande ícone brasileiro, seja ao falarmos de música, de estilo, de ousadia ou coragem. Rita Lee, que completa 69 anos neste próximo 31 de dezembro, apresenta ao público sua primeira e arrebatadora autobiografia. Como de costume, ela choca pela sinceridade ao contar sobre sua vida. Neste livro conhecemos um pouco mais, em um relato oficial, sobre a infância e os primeiros passos de sua vida artística, sua prisão em 1976, o nascimento dos filhos, das músicas e dos discos clássicos. Uma narrativa verdadeira sobre seus erros e acertos. Guilherme Samora, jornalista e estudioso do legado cultural de Rita, afirma que ela entregou uma obra tão pessoal quanto pronta à editora Globo Livros: escreveu, escolheu as fotos, criou as legendas, fez a capa, pensou na contracapa e nas orelhas. Para os fãs, amantes da música brasileira e curiosos, esta é uma leitura necessária em 2017.

 

Você é minha mãe?, de Alison Bechdel  81daa83lswl

É preciso que eu coloque uma informação bem pessoal para justificar a presença desse livro, que eu ainda não li, nesta lista. Lembra-se da matéria sobre o Leia Mulheres, aquele clube de leitura que acontece em diversas cidades no Brasil? Para o encontro de Janeiro, o Leia Mulheres Campinas, cidade do interior de São Paulo, escolheu este livro. Para mim, uma graphic-novel é sempre um desafio, não por desgostar deste gênero, mas pela falta de hábito em ler este tipo de livro. Como me propus a ler este nas próximas semanas, passo também o desafio a vocês: em Você é minha mãe?, a autora segue falando sobre seu passado (em Fun Home, graphic-novel que alçou Bechdel ao estrelato nos quadrinhos, ela falava sobre sua relação conturbada com o pai) investigando a relação com a mãe, uma atriz amante de música e literatura presa a um casamento infeliz. Num relato emocionante e divertido, ela se debruça sobre o abismo que a separa de sua mãe, que parou de tocar ou beijar a filha quando ela tinha sete anos. Combinando elementos tão díspares quanto a vida e obra do psicanalista Donald Winnicott, uma ilustração do Dr. Seuss e a própria (e monogâmica em série) vida amorosa, Bechdel persegue uma frágil e surpreendente trégua entre ela e a família. Mais um motivo para embarcar na leituraFun Home tornou-se um dos quadrinhos mais premiados da última década, tendo sido eleito como livro do ano pela revista Time, a única HQ a receber a distinção. Alison Bechdel  merece esse voto, não?

 

911n5eo5uul-1O fim do homem soviético, de Svetlana Aleksiévitch

Não, Svetlana não está aqui apenas por ter sido a ganhadora do prêmio Nobel de 2015. Ela não está aqui só porque foi uma das principais convidadas da FLIP 2016. E também não está aqui apenas porque todo mundo está alvoroçado para conhecer cada vez mais a obra ela. Ela está aqui porque sua literatura é, de fato, surpreendente. Quando o Nobel anunciou sua premiação, ela era apenas uma jornalista bielorussa sobre quem nós nunca tínhamos ouvido falar. De repente, ao impactar o mundo com Vozes de Tchérnobil, ela chamou a atenção para si, para o seu trabalho de décadas, e também para seu país. Neste terceiro livro publicado pela Companhia das Letras, que assumiu a difícil missão de traduzir obras tão magníficas, Aleksiévitch examina o fim da União Soviética e seu impacto sobre a população. A política de abertura do governo Gorbatchóv impôs uma mudança drástica da estrutura social, do cotidiano e, sobretudo, da direção ideológica de seus habitantes, que receberam o novo país das mais diferentes formas possíveis. O fim do homem soviético é um painel fantástico de russos de todas as idades que se movem entre a possibilidade de uma vida diferente e a derrocada da sociedade que conhecem.

 

91zdfaxd0blMas você vai sozinha?, de Gaía Passarelli  

Jornalista adepta da vida urbana de São Paulo, Gaía tem propriedade para falar sobre viagens: mantém o How To Travel Light, site pessoal com foco em viagens, cultura urbana e a vida em São Paulo. Mantendo sua sinceridade e bom-humor que já apresenta aos leitores, Gaía conta neste livro um pouco de suas aventuras sozinhas pelo mundo. E, vamos combinar, toda mulher que já viajou ouviu – talvez incontáveis vezes – a pergunta: “mas você vai sozinha?”. Seja em outro continente ou na cidade vizinha, é sempre um ato de coragem decidir conhecer um lugar por conta própria. Neste livro, Gaía Passarelli não vai te dizer pra largar tudo e sair por aí, nem te dar dicas de como ser cool em Nova York. Estas são histórias sobre ser consolada por um xamã andino, molhar os pés nas águas do mar do extremo sul da Índia e dormir debaixo de uma mesa de bar no Texas. É sobre viajar e voltar pra casa. É um livro que fala sobre ser mulher e, ao mesmo tempo, ser livre pra viajar por aí sem companhia, sem medo e sem preconceito.

 

91zds2u7uglFlores Azuis, de  Carola Saavedra 

Carola Saavedra é uma escritora brasileira nascida no Chile. Se você não conhece sua prosa refinada e suas narrativas construídas engenhosamente, não sabe o que está perdendo. Carola já tem quatro livros incríveis publicados e são várias opções para você se apaixonar e viciar em suas histórias. Aqui está uma sugestão, mas é fato que você vai querer conhecer todas as outras obras.

Em Flores Azuis, conhecemos um homem que recebe em seu apartamento, para onde se mudou depois de se separar da mulher, uma carta destinada ao antigo morador e não resiste ao impulso de abri-la. É uma carta de amor, escrita por uma mulher e assinada simplesmente com a inicial “A”. Também separada, a autora da carta repassa, inconformada, as últimas horas de seu relacionamento amoroso com o destinatário. Novas cartas chegam diariamente, sempre revisitando o dia da separação e acrescentando detalhes cada vez mais perversos aos acontecimentos. O homem que as recebe não apenas sucumbe ao desejo de lê-las como passa a viver em função disso, o que acaba por desestabilizar a sua relação com o trabalho, com a ex-mulher, com a filha e com a atual namorada, todas elas mulheres que ele não compreende e pelas quais se sente acuado. Desse extravio de correspondência, que talvez não seja tão acidental como parece à primeira vista, constrói-se aos poucos uma trama virtual que funde as trajetórias da misteriosa “A” e do perplexo protagonista. Alternando as cartas com o relato em terceira pessoa do cotidiano e da perturbação mental do homem que as lê, Flores azuis pode ser visto como uma atualização crítica do gênero do romance epistolar. Seu desfecho inesperado e vertiginoso instiga o leitor a construir novos nexos e imaginar toda uma outra história oculta – como na maioria dos livros de Carola.

 

91mrshqrp3lAs filhas sem nome, de Xinran

A jornalista, radialista e escritora chinesa Xinran apresenta neste livro impactante, baseado em histórias reais colhidas durante suas pesquisas para seu programa de rádio, um romance que aborda com delicadeza as tradições de seu país, sem deixar de lado as denúncias do medo e da ignorância herdados de uma ditadura longa e violenta. “Sou uma moça do interior, por favor, seja gentil e cuide de mim.” Era assim que Três, Cinco e Seis se apresentavam na cidade grande. Nascidas em uma pequena aldeia chinesa, as filhas do camponês Li Zhongguo haviam se mudado para Nanjing em busca de oportunidades. Vencendo o ceticismo do pai, um homem desgostoso por ter apenas filhas mulheres e que, por isso, jamais lhes deu um nome verdadeiro, elas escapam ao destino de subserviência e ignorância a que estavam fadadas. Na cidade, as jovens descobrem seu lugar no mundo, mas não abandonam o afeto e o respeito pelo lugar de origem.

 

61zskwgftelOpisanie Swiata, de Veronica Stigger

Mais uma das preciosidades publicadas pela extinta Cosac Naify, este é o primeiro romance de Veronica Stigger, um dos principais nomes da literatura contemporânea brasileira, sem dúvida alguma. O nome parece estranho, mas tem uma razão de ser: “opisanie swiata” significa “descrição do mundo” e é como se traduz Il Milione, o livro de viagens de Marco Polo, para o polonês. É justamente como uma espécie de relato de viagens que essa novela se constitui. A história central do livro é a de Opalka, um polonês de cerca de sessenta anos que, em sua terra natal, recebe uma carta por meio da qual descobre que tem um filho no Brasil – mais especificamente, na Amazônia -, internado num hospital em estado grave. O pai decide viajar ao encontro do filho; no início do percurso, conhece Bopp, um turista brasileiro que, ao tomar conhecimento das razões da viagem de Opalka, resolve abandonar seu giro pela Europa para acompanhá-lo ao Brasil. O livro se compõe a partir de diversos registros, como o do relato em terceira pessoa, o da carta, o do diário etc., além de contar com inserções de imagens e fragmentos de textos sobre a ou da década de 1930 — época em que transcorre a ação. Um livro leve, engraçado e envolvente.

 

61abbsbpezlAnatomia do Paraíso, de Beatriz Bracher

Este livro recebeu o prêmio de Melhor Livro de Romance do Ano do Prêmio São Paulo de Literatura 2016. Em Anatomia do Paraíso, Beatriz Bracher, apresenta a história de um jovem estudante de classe média que escreve uma dissertação de mestrado sobre o Paraíso perdido (1667), poema épico de John Milton que narra a queda do homem e a expulsão de Adão e Eva do Paraíso. A história se desenvolve simultaneamente em vários planos: o dia a dia do estudante, Félix; suas reflexões sobre a obra de Milton; a dura vida de Vanda, vizinha de Félix, que se divide entre trabalho, estudo e os cuidados com a irmã mais nova; e o delicado processo de amadurecimento desta última, a adolescente Maria Joana. Narrativa densa, por vezes vertiginosa, e de alta carga dramática, na medida em que as trajetórias dos personagens vão se cruzando e os temas do Paraíso perdido — sexo, violência, pecado, culpa, traição, morte e redenção — ganham vida nas experiências de cada um. Vale a pena!

 

a-cor-purpura-alice-walker-minha-vida-literariaA Cor Púrpura, por Alice Walker

Vencedor do Prêmio Pulitzer em 1983 e inspiração para a obra-prima cinematográfica homônima dirigida por Steven Spielberg, o romance A cor púrpura retrata a dura vida de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Pobre e praticamente analfabeta, Celie foi abusada, física e psicologicamente, desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido. Um universo delicado, no entanto, é construído a partir das cartas que Celie escreve e das experiências de amizade e amor, sobretudo com a inesquecível Shug Avery. Apesar da dramaticidade de seu enredo, A cor púrpura se mostra muito atual e nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder, em uma sociedade ainda marcada pelas desigualdades de gêneros, etnias e classes sociais. Leitura fabulosa e mais do que necessária!

 

71en5iczdqlMá Feminista: Ensaios Provocativos de Uma Ativista Desastrosa, por Roxane Gay

Roxane Gay, escritora e feminista, tem um vídeo publicado no canal TED com essa mesma temática, chamado Confissões de uma feminista ruim. Se você já assistiu (se ainda não, clique aqui) vai perceber que ela é uma figura peculiar: engraçada e perspicaz, apresenta reflexões sobre o feminismo baseado em suas próprias experiências. Em Má Feminista, Gay apresenta uma seleção de ensaios que nos leva a uma viagem sobre sua própria evolução como mulher negra, ao mesmo tempo em que nos transporta a um passeio pela cultura nos últimos anos. O retrato que emerge não é apenas o de uma mulher incrivelmente sagaz em contínuo crescimento para compreender a si mesma e à nossa sociedade, mas também o espelho de nós mesmos. Gay fomenta um debate ácido e cômico sobre o feminismo atual – e suas contradições –, política, racismo, violência, transitando entre a cultura pop e a análise crítica. Má feminista é um olhar afiado, e nos alerta, acima de tudo, para a maneira pela qual a cultura que nos envolve torna-nos quem somos.

 

capa-do-livro-negra-nua-crua-de-mel-duarte-1470672691545_300x420Negra Nua Crua, Mel Duarte

No mês passado, a poeta Mel Duarte venceu o Rio Slam Poetry, primeiro campeonato de poesia falada internacional do Brasil, que ocorreu na Cidade de Deus durante a Festa Literária Internacional das Periferias no Rio de Janeiro. Em sua obra, publicada pela Editora Ijumaa, apresenta versos inquietos e provocativos sobre angústias, prazes e lutas de uma mulher negra. Mel Duarte é dona de um estilo completamente autoral, livre e forte. Negra Nua Crua carrega versos de lírica refinada e da mais complexa realidade. O livro pode ser adquirido diretamente pela página da editora no Facebook e se você quiser conhecer um pouco mais sobre o trabalho da Mel Duarte, dá uma olhadinha nesse vídeo aqui:

 

 

Observação: esta lista foi criada com base nos gostos pessoais da criadora de Clarices e Marias e não possui nenhum tipo de intenção publicitária. Boas leituras!

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