Resenha: “Você já é feminista”, organizado por Nana Queiroz

“Tenho completa segurança para abrir este livro declarando: você, leitora, é feminista, mesmo que ainda não saiba disso”. E eu, obviamente, não poderia deixar de abrir essa resenha com a frase de Nana Queiroz, escritora, jornalista e diretora executiva da revista AzMina, que abre o livro “Você já é feminista”. Pode parecer uma pretensão sem tamanho que a organizadora receba seus leitores assim, mas não é. Em um tom completamente descontraído, Nana Queiroz e outras 15 mulheres mostram que é muito mais provável que você seja feminista do que o contrário. E se você é uma leitora, a metáfora que elas usam é clara: ser mulher e não ser feminista seria a mesma coisa do que um cachorro não ser a favor do movimento pelos direitos dos animais – e elas realmente vão te mostram que têm razão.

Eu também tenho completa segurança em dizer que se você busca conhecer um pouco mais sobre o Feminismo, que atualmente ganha cada vez mais espaço graças às redes sociais, esse livro é para você. É para você também que já acompanha esse movimento e quer se atualizar, estar em contato com mulheres que colaboraram e colaboram para que a Primavera das Mulheres aconteça, quarta onda do Feminismo alimentada pelas redes sociais. Essas mulheres são as autoras do livro “Você já é feminista”, publicado pela Pólen Livros (que, por sinal, parece cada vez mais apostar em um catálogo feito por mulheres), que apresenta uma compilação de 23 textos que abordam de maneira explicativa e enriquecedora muitos dos temas debatidos pela agenda feminista como: o que é ser feminista, as correntes do feminismo, religião, gêneros, divisão sexual do trabalho e classe, sexualidade, pornografia, prostituição, cultura do estupro, parto, aborto, trabalho doméstico, violência doméstica, assédio, moda e seus bastidores, crianças e família.

michele99Quando vi este livro pela primeira vez em uma foto publicada no Instagram fiquei curiosa.  Afinal, todos nós sabemos que declarar-se feminista é motivo suficiente para que os pré-conceituosos (ou no bom e claro português: preconceituosos) de plantão se choquem. Mesmo quem defende a igualdade entre homens e mulheres é bem capaz de soltar um “não sou feminista, sou humanista” apenas para não afirmar sua simpatia pelo Feminismo, como se ele fosse uma seita satânica que planeja uma conspiração para livrar-se dos homens do mundo. E digo isso porque é assim, e você, que lê essa resenha, sabe que a quantidade de pessoas que ainda pensam que o feminismo é contra os homens e a família e é um movimento que estipula como as mulheres devem agir é grande. (Ei, se você é uma dessas pessoas, e eu realmente espero ter alcançado você, dê uma chance a este livro. Se essas mulheres não te convencerem, tudo bem. Mas tenho certeza que você vai perceber que, no fundo, realmente acredita na igualdade de gênero e – pasmem – você já é feminista).

Nana encabeçou esse rico projeto que tem a exclusiva intenção de lançar luz ao feminismo, tanto para os simpatizantes como para aqueles que pensam que não concordam com o feminismo. Como declara Márcia Tiburi, escritora e conhecida filósofa da atualidade, que assina a apresentação do livro: “Não importa onde aconteça e como se faça o feminismo, todo feminismo é contraconsciência, todo feminismo nasce da percepção das contradições da sociedade machista. Uma feminista surge quando uma pessoa percebe que está sujeita a jogo de poder em função da sua condição de gênero”. Talvez você já tenha percebido isso, ou talvez precise refletir mais sobre as condições da sociedade, e este é um convite. Um convite a todas as pessoas, independente do gênero com que se identifiquem.

Citar mais uma vez Márcia Tiburi é necessário para encerrar essa resenha, porque não há apresentação melhor do que ela mesma já fez: “Ainda há menos feminismo do que seria necessário em todos os contextos. O machismo é tão enraizado socialmente, tão estrutural, tão micrológico, que o feminismo tem mesmo que ser um movimento muito forte, tem mesmo que se colocar como uma luta diária e incessante, porque não se desmonta, não se desconstrói a violência que dominou a sociedade até agora sem muita luta”. Esta obra é uma ação dessa luta, uma dessas poderosas que podemos carregar embaixo do braço, ler no ônibus, no consultório médico ou numa mesa de bar como um pequeno convite àqueles que se interessam pela capa: “Você já é feminista: abra este livro e descubra o porquê”!

2 comentários sobre “Resenha: “Você já é feminista”, organizado por Nana Queiroz

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