Leia Mulheres: do Twitter para a sua cidade

Se você está nas redes sociais, é possível que já tenha visto comentários, propagandas ou mesmo sido convidado para participar de algum clube de leitura em sua cidade. Não que a propaganda boca a boca ou aquela feita em livrarias não exista mais, mas é que graças à internet e às redes sociais os movimentos criados para a divulgação da literatura têm aumentado. Em 2014, a escritora britânica Joanna Walsh propagou no Twitter a hashtag #readwomen2014 (em português #leiamulheres2014). A partir daí muitos clubes de leitura surgiram ao redor do mundo. Por aqui, o projeto Leia Mulheres, clube de leitura que organiza encontros com leitores interessados em debater produções de autoras e o papel da mulher na literatura, tem crescido de forma surpreendente e atrai cada vez mais seguidores.

“Acompanhamos a campanha pelas redes sociais em 2014 e ficamos intrigadas com a proposta. Apesar de todas sermos leitoras vorazes, não atinávamos para a discrepância numérica, em premiações e destaques na mídia, entre os autores homens e mulheres”, conta Juliana Leuenroth, uma das criadoras do projeto. Juliana e suas amigas Juliana Gomes e Michelle Henriques, que sempre gostaram de literatura, instigadas pelo #readwomen começaram a perceber o desequilíbrio de gênero presente na literatura e, então, decidiram criar seu próprio clube de leitura que incentivasse o reconhecimento de escritoras. Os encontros do Leia Mulheres começaram em São Paulo e atualmente já são realizados todos os meses em mais de 35 cidades do país. São algumas delas: Rio de janeiro, Curitiba, Fortaleza, Brasília, Recife, Belo Horizonte, Itapetininga, Salvador, São Bernardo do Campo, Sorocaba, Campinas, entre outras. (Veja a lista completa de cidades clicando aqui)

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Quando Leuenroth destaca a discrepância numérica, não está exagerando: no Brasil, 72,7% dos autores publicados são homens, segundo pesquisa de Regina Dalcastagné em “Um território contestado: literatura brasileira contemporânea e as novas vozes sociais”. O estudo também aponta outro dado espantoso: em todos os principais prêmios literários brasileiros (Portugal Telecom, Jabuti, Machado de Assis, São Paulo de Literatura, Passo Fundo Zaffari & Bourbon), entre os anos de 2006 e 2011, foram premiados 29 autores homens e apenas uma mulher (na categoria estreante do Prêmio São Paulo de Literatura).

Esta desigualdade, infelizmente, não é algo exclusivo de nosso país. Joanna Walsh, em entrevista ao Clarices e Marias, conta que o movimento #readwomen, que inicialmente era apenas uma ação de Ano Novo para os seus seguidores no Twitter, rede social que ela considera um grande clube informal de leitura, acabou conscientizando muitas mulheres em diferentes países. O fato de sua proposta ter encontrado seguidoras no Brasil a encanta.

“É muito empolgante saber que as brasileiras se sentiram inspiradas pelo @read_women a começarem seu próprio movimento. Mas #readwomen não é o responsável por isso. Ele foi só um catalisador. As pessoas que devem realmente levar o crédito por isso são as mulheres que organizaram o Leia Mulheres e também as mulheres que leem e participam dos encontros do clube de leitura. #Readwomen é uma ideia que está aberta a todas!”, comemora Joanna.

O importante dos clubes de leitura é que sejam acessíveis e propagem a literatura, que não deve ser elitizada de forma alguma. Homens e mulheres de todas as profissões e idades têm participado dos encontros do Leia Mulheres no Brasil e talvez seja esse o segredo do sucesso deste projeto. “Acredito que nosso objetivo, que é evidenciar a literatura produzida por mulheres está acontecendo”, avalia Juliana Leuenroth.

Joanna Walsh além de comemorar o sucesso do projeto brasileiro também ressalta a importância de que o Leia Mulheres esteja promovendo a leitura de autoras contemporâneas. Utilizando o exemplo da poeta Ana Cristina César, que cada vez mais está sendo descoberta pelo grande público, ela garante que é importante reconhecer as autoras ao longo de suas carreiras, não apenas após morrerem. “É maravilhoso que autoras estejam cada vez mais sendo lidas e reconhecidas ao longo de suas carreiras, apesar das dificuldades que muitas delas ainda tem que enfrentar. É uma pena que não aconteça com algumas, como no caso de Ana Cristina César, que se tornou tão conhecida apenas depois de sua morte”.

Ou seja, ao participar de clubes de leitura como esse, você colabora para um movimento saído diretamente das redes sociais para o mundo real. Além disso, dá prestígio para as ações de cultura realizados em sua cidade e colabora para o reconhecimento da literatura produzida por mulheres, que existe apesar da falta de reconhecimento e da desigualdade. Confira os encontros na sua cidade e participe!

Próximos encontros

São Paulo: Centro Cultural Vergueiro – 29 de outubro – 16H

Livro: “A menina submersa” de Caitlin R. Kiernan


Barão Geraldo: Ala Verde – 22 de outubro – 16H

Livro: “Laços de Família” de Clarice Lispector

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1840263046208827/


Campinas: Livraria Cultura – Shopping Iguatemi – 17 de outubro – 19H30

Livro: “Hibisco roxo” – Chimamanda Ngozi Adichie

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/588177754699619/


Confira toda a programação : http://leiamulheres.com.br/clubes/page/2/

8 comentários sobre “Leia Mulheres: do Twitter para a sua cidade

  1. Bia Oliver disse:

    Ótimo post! Eu sempre senti essa dificuldade em encontrar livros escritos por mulheres, por mais que elas existam não há tanta publicidade. Não conhecia os números e confesso que me assustei com a discrepância do números de autores homens no país. Iniciativas como o #readwomen e #leiamulheres devem ser compartilhadas, divulgadas e incentivadas. Quem sabe assim, nós como leitores conseguimos mudar um pouco esse cenário, não é?

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    • Michelle Lopes disse:

      Obrigada, Bia! Com certeza esses dados causam uma reflexão, né? Temos que incentivar e participar sempre de iniciativas como essas, que colaboraram para uma grande mudança!
      Apareça sempre!
      Abraços,
      Michelle

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